sexta-feira, 18 de março de 2011

Abaporu X Movimento Antropofágico


Oswald de Andrade



Oferta

Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor


A tela “Abaporu” de Tarcila do Amaral deu início ao Movimento Antropofágico, em 1928.



A antropofagia foi tematizada por Oswald no Manifesto antropófago, mas também reapareceu outras vezes em sua obra. Em Marco Zero I (1943), romance de Oswald escrito sob influência do marxismo e da arte realista mexicana, surgiu o personagem Jack de São Cristóvão, relembrando a antropofagia e celebrando-a como uma saída para o problema de identidade brasileiro e mesmo como antídoto contra o imperialismo.



Manifesto Antropófago (1928)


O canibalismo é interpretado como uma forma de veneração do inimigo. Se o inimigo tem valor então tem interesse para ser comido porque assim o canibal torna-se mais forte.


Oswald atualiza este conceito no fundo expressando que a cultura brasileira é mais forte, é colonizada pelo europeu mas digere o europeu e assim torna-se superior a ele.

"Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Matias. Comi-o."


Galimatias, que significa "discurso arrevesado, cofuso, obscuro", sugere a formação de um substantivo próprio (Galli Mathias), através do qual o poeta se refere ao sujeito da colonização, ao sujeito centrado do discurso monológico que ele contesta pelo carnaval antropofágico. Esse discurso chistoso é um gesto de desmascaramento por deslocamento e condensação. Deste modo conquista-se um espaço metonímico, que pela estética do fragmentário, desmistifica o homem cordial e estabelece o reconhecimento da alteridade, que nas palavras de Oswald é o sentimento do outro em si.

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