segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Wikileaks

Maior fuga de informação secreta da história, marca "um antes e um depois" nas práticas diplomáticas

As mais de 250 mil mensagens diplomáticas norte-americanas hoje divulgadas pelo site Wikileaks constituem a maior fuga de informação secreta de toda a história, escreve hoje o diário espanhol El País.

Um dos cinco títulos de referência da imprensa mundial que tiveram acesso prévio aos documentos -- juntamente com o britânico The Guardian, o norte-americano The New York Times, o francês Le Monde e o alemão Der Spiegel - o jornal espanhol defende que "o alcance destas revelações é de tal calibre que, seguramente, se poderá falar de um antes e um depois, no que diz respeito aos hábitos diplomáticos".

São, no total, 251.287 mensagens do departamento de Estado dos Estados Unidos que abrangem um período até Fevereiro de 2010 e que incidem, na maioria, sobre os últimos dois anos.

Nelas, se expõem "episódios inéditos ocorridos nos pontos mais conflituosos do mundo, bem como muitos outros acontecimentos e dados de grande relevância que desnudam por completo a política externa norte-americana", segundo o El País.

Tais documentos "trazem à luz os seus mecanismos e as suas fontes (da política externa de Washington), colocam em evidência as suas debilidades e obsessões e, em conjunto, facilitam a compreensão por parte dos cidadãos das circunstâncias em que se desenvolve o lado obscuro das relações internacionais", indica o diário espanhol.

Na lista dos 15 mil documentos a que teve acesso, há "comentários e relatórios elaborados por funcionários norte-americanos, com uma linguagem muito franca, sobre personalidades de todo o mundo, conteúdos de reuniões ao mais alto nível, desconhecidas actividades de espionagem e opiniões emitidas e dados fornecidos por diferentes fontes em conversas com embaixadores norte-americanos ou pessoal diplomático dessa nação em numerosos países".

Destaca-se, por exemplo, a suspeita norte-americana de que a política russa está nas mãos de Vladimir Putin, "que é considerado um político de perfil autoritário, cujo estilo pessoal machista lhe permite relacionar-se perfeitamente com Silvio Berlusconi".

Do primeiro-ministro italiano, revelam-se pormenores das suas "festas selvagens" e manifesta-se "a desconfiança profunda que desperta em Washington".

A diplomacia norte-americana demonstra também "pouco apreço" pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, cujos movimentos para criar obstáculos à política externa dos Estados Unidos são "meticulosamente seguidos".

A correspondência diplomática dos Estados Unidos, hoje divulgada, prova também "a intensa actividade desse país para bloquear o Irão, o enorme jogo que se desenvolve em torno da China, cujo predomínio na Ásia se dá quase como aceite, ou os esforços para cortejar países da América Latina para isolar o venezuelano Hugo Chávez", de acordo com o El País.

"Em algumas ocasiões, as expressões usadas nestes documentos são de natureza tal que podem dinamitar as relações dos Estados Unidos com alguns dos seus principais aliados; noutras, podem pôr-se em risco alguns projectos importantes da sua política externa, como a aproximação à Rússia ou o apoio de determinados Governos árabes", defende o jornal espanhol.

O diário britânico The Guardian indica, por exemplo, que o rei Abdallah da Arábia Saudita instou os Estados Unidos a atacarem o Irão para pôr fim ao programa nuclear iraniano.
No conjunto dos mais de 250 mil telegramas do departamento de Estado dos Estados Unidos que abrangem um período até Fevereiro de 2010 e que incidem, na maioria, sobre os últimos dois anos, há ainda referências à Chanceler alemã, Angela Merkel, considerada "pouco criativa".

O secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, os seus assistentes e equipas, as agências da ONU, suas embaixadas e as organizações não governamentais ficaram, assim, sob a permanente espionagem dos diplomatas norte-americanos.

O correio diplomático divulgado pela Wikileaks reproduz os rumores sobre a suposta corrupção do primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan.

Num despacho datado de Maio de 2009, a embaixadora norte-americana Anne W. Patterson afirma que as autoridades paquistanesas recusaram uma visita de especialistas dos EUA às instalações nucleares no Paquistão.

Os documentos revelam, ainda, a forma curiosa como os diplomatas norte-americanos vêem alguns dos líderes mundiais. Da "pele fina" de Sarkozy aos "aspecto flácido" de Kim Jong-II.


Líderes mundiais definidos pelos EUA numa frase

Como os diplomatas norte-americanos vêem alguns dos líderes mundiais. Da "pele fina" de Sarkozy aos "aspecto flácido" de Kim Jong-II.

Nicholas Sarkozy, presidente da França

"Tem a pele fina e um estilo pessoal muito autoritário"
Sílvio Berlusconi, presidente de Itália

"Irresponsável, vaidoso e ineficaz como um líder europeu moderno"

Kim Jong-II, presidente da Coreia do Norte

"Um gajo com aspecto flácido (...) e com traumas físicos e psíquicos"

Hamid Karzai, presidente do Afeganistão

"Um homem extremamente fraco, que não dá ouvios aos factos"

Ali Abdullah Saleh, presidente do Iémen

"Desdenhoso, aborrecido e impaciente"

Robert Mugabe, presidente do Zimbabué

"Um homem maluco"

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